Caros Oblatos,
A vida beneditina não é outra coisa senão a vida cristã vivida segundo os
conselhos dados por Nosso Senhor Jesus Cristo. Desejando formar verdadeiros
cristãos nosso bem-aventurado pai São Bento pôs em nossas mãos o tesouro da
Santa Regra que é um resumo da doutrina dos Santos Evangelhos.
Nesta vida a Santa Liturgia tem, evidentemente, o primeiro lugar pois ela
é a mais alta expressão do primeiro de todos os mandamentos: “Amar a Deus
sobre todas as coisas”. E na Santa Liturgia o canto gregoriano ocupa um lugar
privilegiado que devemos procurar conhecer para melhor apreciá-lo.
“Cantar, diz Santo Agostinho, é próprio daquele que ama”. O canto reflete,
pois, as disposições da alma. Quando a alma ama a Deus, que ela conhece pela
Fé, o seu canto por excelência é o canto gregoriano. Ele exprime, melhor do
que qualquer outro, as disposições do coração santificado e elevado pela graça.
Daí a importância de se cultivar esse canto que não só permite à alma de exprimir
os seus sentimentos mas que também a ajuda a compreender melhor o próprio
texto das orações litúrgicas. Guiada pelo canto gregoriano a alma como que
assimila os sentimentos do autor dessas melodias e descobre mais a fundo o
significado do próprio texto. “O canto, por assim dizer, modela a alma segundo
a atitude espiritual desejada pela Igreja; ele nos permite de conformar nosso
espírito com os sentimentos exprimidos pela Igreja” ¹
“É para esclarecer o sentido das palavras que as melodias gregorianas foram
compostas” ² diz Leão XIII e São Pio X acrescenta que a função do canto gregoriano
é a de “dar uma maior eficácia ao texto ele mesmo” ³.
Afim de contribuir nessa obra de inteligência da Fé cuja luz inflama o coração,
nós nos propomos de gravar algumas antífonas gregorianas compostas em honra
de Nossa Senhora. Esperamos que elas estejam prontas antes do Natal para lhes
dar a ocasião de presentear seus familiares e amigos com este trabalho que,
embora bem modesto, tem o mérito de pertencer ao magnífico tesouro da antiga
e sempre nova Tradição da Santa Igreja.
Ir. Tomás de Aquino
1- Pe. Hervé Gresland: La langue musicale grégoriene.
Le Rocher. Nº55 pag- 46
2- Carta a Dom Dellate, abade de Solesmes, 7 de maio de 1901
3- Motu próprio, Tra le sollecitudini.
Irmão Tomás de Aquino, O.S.B.