Carta aos Oblatos
Nº 2

Caros Oblatos,

A vida beneditina não é outra coisa senão a vida cristã vivida segundo os conselhos dados por Nosso Senhor Jesus Cristo. Desejando formar verdadeiros cristãos nosso bem-aventurado pai São Bento pôs em nossas mãos o tesouro da Santa Regra que é um resumo da doutrina dos Santos Evangelhos.

Nesta vida a Santa Liturgia tem, evidentemente, o primeiro lugar pois ela é a mais alta expressão do primeiro de todos os mandamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. E na Santa Liturgia o canto gregoriano ocupa um lugar privilegiado que devemos procurar conhecer para melhor apreciá-lo.

“Cantar, diz Santo Agostinho, é próprio daquele que ama”. O canto reflete, pois, as disposições da alma. Quando a alma ama a Deus, que ela conhece pela Fé, o seu canto por excelência é o canto gregoriano. Ele exprime, melhor do que qualquer outro, as disposições do coração santificado e elevado pela graça. Daí a importância de se cultivar esse canto que não só permite à alma de exprimir os seus sentimentos mas que também a ajuda a compreender melhor o próprio texto das orações litúrgicas. Guiada pelo canto gregoriano a alma como que assimila os sentimentos do autor dessas melodias e descobre mais a fundo o significado do próprio texto. “O canto, por assim dizer, modela a alma segundo a atitude espiritual desejada pela Igreja; ele nos permite de conformar nosso espírito com os sentimentos exprimidos pela Igreja” ¹

“É para esclarecer o sentido das palavras que as melodias gregorianas foram compostas” ² diz Leão XIII e São Pio X acrescenta que a função do canto gregoriano é a de “dar uma maior eficácia ao texto ele mesmo” ³.

Afim de contribuir nessa obra de inteligência da Fé cuja luz inflama o coração, nós nos propomos de gravar algumas antífonas gregorianas compostas em honra de Nossa Senhora. Esperamos que elas estejam prontas antes do Natal para lhes dar a ocasião de presentear seus familiares e amigos com este trabalho que, embora bem modesto, tem o mérito de pertencer ao magnífico tesouro da antiga e sempre nova Tradição da Santa Igreja.

Ir. Tomás de Aquino

1- Pe. Hervé Gresland: La langue musicale grégoriene. Le Rocher. Nº55 pag- 46
2- Carta a Dom Dellate, abade de Solesmes, 7 de maio de 1901
3- Motu próprio, Tra le sollecitudini.

Irmão Tomás de Aquino, O.S.B.


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