Caros oblatos.
A partida de Dom Anjo nos recorda um grande dever de caridade e de justiça:
o de nos ocupar de nossos oblatos.
Dom Anjo nos deu o exemplo dessa oblação, isto é, dessa entrega que deve caracterizar
nossa vida de monge ou de oblato. Dom Anjo ofereceu a sua vida pelo Santo
Padre (para que ele consagre a Rússia ao Imaculado Coração), pela sua família
e pela ordem beneditina.
Esta comovente morte de um jovem superior que não temeu a hora tão dolorosa
da separação da alma e do corpo é um grande exemplo da verdadeira liberdade
dos filhos de Deus. Não estar apegado a nada, senão a Deus. Eis aí a verdadeira
liberdade.
Viver nossa oblatura é se desapegar de tudo e tudo entregar a Deus. “Se o
grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo; mas se morrer,
produz muito fruto”, diz Nosso Senhor. O exemplo de Dom Anjo ilustra a palavra
do Evangelho.
Que nossa vida monástica e vossa oblatura, caros amigos, sejam um aprendizado
dessa verdadeira liberdade fundada na morte de todo amor próprio para seguir
o plano de Deus sobre nós nos seus mínimos detalhes.
Para terminar creio que não há nada melhor do que citar Dom Anjo que escrevia
em novembro de 2005: “Unicamente o apego íntimo do coração à verdade dá a
força para realizar sempre a vontade de Deus. A adoração em espírito e verdade,
fruto da fé viva e da “oração do coração” é a alma de nosso combate. Que ela
seja nossa principal preocupação. Por ela nós participamos à adoração perfeita
que Nosso Senhor oferece a seu Pai, por ela nós apresentamos a Deus uma digna
reparação (...). Para ser verdadeira, nossa adoração deve nos conduzir ao
sacrifício de nós mesmos pela Igreja e pelo bem de nossos próximos. Assim
a reforma começada em nós se estende em torno de nós pelos esforços visíveis
ou invisíveis de nossa caridade; assim nossa reparação se torna intercessão”.
Que Dom Anjo interceda por nós para que possamos cumprir esse belo programa.
Irmão Tomás de Aquino, O.S.B.