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BOLETIM DA SANTA CRUZ
Nº 38 Abril de 2008
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A visita de Dom de Galarreta e o retiro anual pregado pelo Rev. Padre Berrou
voltaram nossas atenções para o grande mistério da
Igreja. Com efeito, Dom de Galarreta nos falou longamente dos aspectos negativos
e positivos do Motu Proprio assim como dos princípios que regem a
conduta da Fraternidade São Pio X na presente crise. Por sua vez,
o Rev. Pe. Berrou tomou como tema de seu retiro o mistério da Igreja.
Contemplando este mistério da Igreja, São Pio X dizia: “Os
reinos e os impérios desmoronaram; os povos, que a glória
de seus nomes assim como sua civilização os haviam tornado
célebres, desapareceram. Viram-se nações que, atingidas
pela decrepitude, se desagregaram por si mesmas. A Igreja porém é
imortal por natureza, jamais o laço que a une ao seu celeste Esposo
se romperá e, em conseqüência, a velhice não pode
atingi-la; ela permanece exuberante de juventude, sempre transbordante dessa
força com a qual ela nasceu do coração transpassado
de Cristo morto sobre a Cruz”. (Encíclica Iucunda Sane)
A crise atual, apesar de ser mais grave do que todas as precedentes, passará
como passaram as anteriores. A Igreja, perseguida pelos inimigos do interior
será salva pelo seu divino Esposo, que nunca a abandona. Mais do
que isso. É durante a própria luta, no meio dos combates mais
difíceis, que a Igreja cresce . “O próprio da Igreja,
diz Santo Hilário, é de ser vitoriosa quando a ferem, se manter
quando a atacam, estender suas conquistas quando a abandonam”.(Citado
por Pio IX na sua Alocução ao Consistório, em 13 de
julho de 1860) E não é isto que se vê atualmente? Em
todas as partes do mundo almas são conquistadas para a Igreja pela
pregação dos Bispos e padres da Fraternidade São Pio
X, em numerosos países padres desejam aprender a rezar a missa de
sempre.
Assim, a Igreja continua sua obra de salvação mesmo tendo
sua hierarquia ocupada, invadida, na sua maior parte, pelo Liberalismo e
o Modernismo. Mas é na perseguição que a Fé
cresce e se reanima. As grandes obras não são geradas no repouso,
como dizia São Pio X.
Mas se a Igreja se desenvolve sob as perseguições, ela não
as deseja, sabendo que, em si mesmas, elas são um mal. Peçamos,
pois, a Deus que abrevie o tempo da crise atual e dê à sua
Igreja a vitória sobre os seus inimigos internos e externos. E enquanto
este dia não chega, continuemos o bom combate para obter a coroa
que está prometida a todos que perseverarem até o fim.
ir. Tomás de Aquino, O.S.B
A TRADIÇÃO A SERVIÇO DA REVOLUÇÃO?
Recebemos de Campos um texto de dezoito páginas
nas quais a Fraternidade São Pio X é maciçamente atacada.
Neste texto há numerosas referências a papas anteriores ao
Vaticano II. Desta argumentação se conclui: Campos quer pôr
a Tradição da Igreja a serviço do Vaticano II, ou seja,
pôr a Tradição a serviço do Liberalismo, o que
é o mesmo que pôr a Tradição a serviço
da Revolução.
Querer justificar o Vaticano II apoiando-se na Tradição da
Igreja é ir contra os primeiros princípios da razão,
pois quem não sabe que o Vaticano II se opõe a Quas Primas
de Pio XI, ao Sílabo de Pio IX, a Mirari Vos de Gregório XVI
e ao ensinamento de toda a Tradição?
Para se convencer disto, basta ler “Do Liberalismo à Apostasia”
de Dom Lefebvre; basta ler “O Reno se lança no Tibre”
(Edições Permanência), basta ler as declarações
daqueles que fizeram o Concílio.
Para lembrar a Dom Fernando Rifan o que ele tão depressa esqueceu,
reproduzimos aqui um artigo de Dom Antônio de Castro Mayer, pelo qual
se vê que é o Vaticano II que está a serviço
da Revolução. Isso sim. E é por isso que este concílio
será um dia condenado pela Santa Igreja una, católica, apostólica
e romana.
CONCÍLIO MAÇÔNICO
Monitor Campista, 10/03/1985
Heri et Hodie, nº 59, novembro de 1988
Em 8 de dezembro de 1869 abriu-se em Roma o 1º
Concílio do Vaticano. No mesmo dia, Ricciardi, deputado da Sabóia,
inaugurava em Nápoles o “Anticoncílio Maçônico”,
ao qual aderiram maçons de toda Europa. Destacam-se Victor Hugo,
Edgard Quinet, Michelet e notadamente Giuseppe Garibaldi, o homem da destruição
do poder temporal dos Papas. Pio IX tencionava firmar a Fé do povo
católico contra o Racionalismo e o Naturalismo, implantados pela
Revolução Francesa. A Maçonaria pretendia obviar a
obra de Pio IX. Ricciardi sintetiza a tarefa do Concílio Maçônico
nesta frase: “à cegueira e à mentira representadas pela
Igreja Católica, particularmente o Papado, fazia-se uma declaração
de guerra perpétua em nome do sagrado princípio da liberdade
de consciência”.
Dia 16 de dezembro de 1869 o Concílio maçônico publicava
suas resoluções: autonomia do Estado face à Religião,
abolição da Religião de Estado, neutralidade religiosa
do Ensino, independência da Moral diante da Religião.
A revista italiana católica “Chiesa viva” em seu número
de novembro de 1984 dá o seguinte balanço, ao relacionar o
anticoncílio maçônico de 1869 e o 2º Concílio
do Vaticano, realizado menos de um século depois:
“A quem considera, entre os documentos do Vaticano II, o parágrafo
75 da constituição “Gaudium et spes” e de modo
particular, a declaração “Dignitatis humanae”
sobre a Liberdade Religiosa, não pode não perceber que este
concílio acolhe todos os mais importantes princípios do “Anticoncílio”
de 1869, do qual, em conseqüência, queira-se ou não, vem
a constituir-se a continuação ideal, na oposição
ao Vaticano I e ao Sílabo”.
E mais uma vez se registra que o Vaticano II está no centro da Crise
da Igreja.
São Pio X
(1903-1914)
“A Igreja é denominada una, santa, católica, apostólica, romana e, eu acrescentaria, perseguida. Jesus Cristo não o disse? A perseguição é o pão quotidiano da Igreja Católica. Uma das características da Igreja é ser sempre perseguida. A perseguição é o sinal de que somos verdadeiramente os filhos da Igreja de Jesus Cristo. Em todos os séculos ela sofreu perseguições. O século em que ela não teve que chorar por causa disso foi o mais mortal para ela; nas perseguições a fé cresce e se reanima. As grandes obras não surgem no repouso. As águas estagnadas apodrecem. Portanto, con-solemo-nos nas perseguições e peçamos a Nosso Senhor para que nos mantenha fiéis no combate que travamos por Ele.”
Alocução ao Colégio Capranica
Janeiro de 1907
DOM ANJO
Nascido em Volta Redonda em 5 de junho de 1965,
José Antônio Araújo Ferreira da Costa era o sétimo
filho de oito irmãos. Seus pais, Ronald e Sônia Araújo
Ferreira da Costa, adotaram em seguida uma menina. José Antônio
desde cedo manifestou qualidades naturais que a graça aperfeiçoou
de tal maneira que todos os que o conheceram admiravam seu equilíbrio
feito de mansidão e de firmeza.
Aos vinte e dois anos José Antônio entrou na vida religiosa
ingressando no nosso mosteiro da Santa Cruz onde recebeu o nome de Irmão
Anjo, fez os seus votos perpétuos em 11 de julho de 1993 e foi ordenado
sacerdote em 11 de fevereiro de 1995, após ter estudado no seminário
da Fraternidade São Pio X na Argentina onde deixou uma excelente
impressão entre os seminaristas e os professores.
Em 1o de agosto de 1999 foi enviado para a França a fim de fundar
um mosteiro fiel à Tradição, já que o Barroux,
mosteiro que havia fundado Santa Cruz, abandonara o combate, deixando os
franceses sem algo que faz parte da alma francesa, isto é, os mosteiros
beneditinos.
Admirado e respeitado por seus monges, Dom Anjo governou o mosteiro de Notre
Dame de Bellaigue até o seu falecimento, que foi como o coroamento
desta breve vida.
Um câncer no pâncreas diagnosticado em maio de 2007 o levou
após dez meses de sofrimento. Dom Anjo ofereceu sua vida pela Igreja,
pelo Papa, por sua família natural e sua família sobrenatural,
ou seja, sua família beneditina. Aliás, Dom Anjo já
havia oferecido sua vida a Deus e não deixou de confirmar o seu oferecimento
na hora da morte, morrendo como um predestinado. Até os últimos
momentos ele conservou o seu sorriso e sua gentileza para com todos. Após
receber o viático de maneira solene na quarta-feira, 5 de março,
ele dirigiu à toda a comunidade uma última exortação,
que foi o seu testamento espiritual. Foi a divisa que o Père Muard
tanto apreciava, Filioli diligite alterutrum (Meus filhinhos, amai-vos uns
aos outros, 2º noct. Mat. festa S. João Ev.) que serviu de tema.
Eis aí, disse Dom Anjo, a chave da vida monástica, a chave
de toda a vida religiosa, a chave com a qual, estamos persuadidos, ele abriu
as portas do céu.
Mas para que a veneração de seus amigos e filhos espirituais
não venha privá-lo do sufrágio de nossas orações,
exortamos a todos os que nos lerem a exercer em seu favor, pela oração
e a assistência à missa esta mesma caridade da qual ele deu
um tão belo exemplo.
CRÔNICA
25 de abril
Visita do Rev. Pe. Fernando Conceição Lopes, de Anápolis.
3 de maio – Invenção da Santa
Cruz
Neste dia, há vinte anos atrás, foi fundado oficialmente o
Mosteiro da Santa Cruz. Houve uma Missa solene, assistida por D. Antônio
de Castro Mayer e por vários padres de Campos assim como por numerosos
fiéis.
22 de maio
Chegada de D. Prior, vindo de uma estadia no mosteiro beneditino de Nossa
Senhora de Guadalupe, onde fora ajudar D. Cipriano, prior deste mosteiro.
26 de maio – Véspera da festa de Pentecostes
Como todos os anos, fazemos uma peregrinação desde a Catedral
da cidade de Nova Friburgo até o nosso Mosteiro. São cerca
de 24 Km.
19 de junho
D. Prior e Ir. Plácido viajam para a França para visitar D.
Anjo.
24 a 30 de julho
Visita do Rev. Pe. Labouche, da Fraternidade São Pio X.
11 de agosto
D. Prior vai a Campos, visitar algumas pessoas que têm o mérito
de permanecerem fiéis aos ensinamentos de D. Antônio de Castro
Mayer e de rejeitarem as novas orientações modernizantes de
D. Fernando Rifan.
15 de setembro - Comemoração da Santa
Cruz
Fazemos uma festa para celebrar os vinte anos de fundação
do nosso mosteiro. Vários fiéis, vindos da Diocese de Campos,
do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de nossos conhecidos
daqui mesmo de Nova Friburgo, vieram participar de nossa alegria nesta ocasião.
29 de setembro
Visita do Rev. Pe. Édio Moreira, da diocese de Nova Friburgo.
6 de outubro
Um grande incêndio que começa em uma propriedade vizinha se
alastrou em nossa mata. Foram gastos dois dias para poder controlar e apagar
o fogo, que causou um grande estrago em nossa mata.
Muitas pessoas da nossa região vêm nos ajudar para apagar o
fogo. A eles, testemunhamos o nosso agradecimento.
11 de outubro
Vestição do Ir. Luís Maria.
12 de outubro – Nossa Senhora Aparecida
Votos temporários do Ir. Filipe de Jesus.
14 de novembro
D. Prior vai a São Paulo dar a Extrema Unção para a
mãe do nosso Ir. Agostinho.
3 de dezembro
D. Antônio Maria vai a Anápolis pregar um retiro para as Irmãs
do Pe. Fernando Conceição Lopes.
17 de dezembro
Chegada de D. de Galarreta, acompanhado por D. Lourenço. No dia seguinte,
ele ministra o sacramento da Crisma a uma quinzena de fiéis. No dia
19, à tarde, D. de Galarreta dá uma conferência para
os monges e os fiéis sobre o Motu Proprio de Bento XVI a respeito
da Missa Tridentina.
25 de dezembro
Missa do Galo. Após a Santa Missa, as crianças tocam músicas
para o Menino Jesus no Presépio.
28 de dezembro
Chegada do Ir. Emanuel, do mosteiro de Bellaigue.
Falecimento da mãe do nosso Ir. Agostinho. D. Prior viaja para estar
presente ao seu sepultamento, que foi no dia seguinte. Pedimos as orações
dos nossos amigos e benfeitores pela alma dela.
2008
2 de janeiro
Chegada do Rev. Pe. Berrou, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Ele vem para pregar o nosso retiro anual.
7 de janeiro
Início do retiro anual, que vai até o dia 12 de janeiro. O
Pe. Berrou tomou como tema do retiro: “O mistério da Igreja”.
Sua partida se deu no dia 14.
12 de janeiro
Chegada do Rev. Pe. Ricardo, de Campo Grande, que fica conosco até
o dia 21.
Vestição do Ir. José.
16 de janeiro
Batizado do sobrinho de nosso Ir. Agostinho, Juliano Teixeira do Nascimento,
de 24 anos, para o qual é usado o ritual previsto para os adultos.
11 de fevereiro
Chegada do Rev. Pe. Gustavo Camargo, da Fraternidade Sacerdotal São
Pio X, que fica conosco até o dia 13.
15 de fevereiro
Grande passeio. Os monges vão visitar o navio Jeanne d’Arc,
a convite do capitão Thierry Roy, que viera há alguns dias
conhecer o nosso mosteiro.
16 de fevereiro
Chegada do Rev. Pe. Luiz Cláudio Camargo, da Fraternidade Sacerdotal
São Pio X, que fica conosco até o dia 18.
25 de fevereiro
D. Prior viaja para a Argentina, onde prega um retiro para os seminaristas
do Seminário de La Reja.
28 de fevereiro
Falecimento de D. Gérard Calvet, fundador do Mosteiro de Sainte Madeleine
do Barroux, que fundou nosso Mosteiro da Santa Cruz.
9 de março
Falecimento de D. Anjo, primeiro prior do Mosteiro beneditino de Notre Dame
de Bellaigue.
10 de março
D. Prior parte diretamente da Argentina para a França, para estar
presente aos funerais de D. Anjo. No seu funeral, a Missa de réquiem
foi celebrada por S. Ex. D. de Galarreta, com a assistência de cerca
de 50 padres e várias centenas de fiéis.
23 de março
Partida de D. Prior para o Mosteiro beneditino de Nossa Senhora de Guadalupe,
nos Estados Unidos. Ele irá auxiliar a D. Cipriano, durante algum
tempo.
NOTA DO CELEIREIRO
Neste último período, continuamos o trabalho de melhoria de
nossas estradas internas, comprando e espalhando vários caminhões
de saibro e pedra britada.
Aproveitamos também a estação chuvosa para plantarmos
mais um lote de 10.000 mudas de eucalipto. Assim, aos poucos vamos procurando
dar um maior aproveitamento a toda a propriedade.
Agradecemos aos nossos benfeitores pela ajuda que nos prestam. Todos os
meses rezamos duas missas pelos nossos benfeitores vivos e uma pelos nossos
benfeitores defuntos.
Ir. Celeireiro
ATENÇÃO para o novo endereço do nosso site:
www.beneditinos.org.br
Endereços e contas bancárias para correspondência e para quem quiser nos ajudar:
| Soc. C. Mant. do Mosteiro
da S. Cruz |
Soc. C. Mant. do Mosteiro
da S. Cruz Banco do Brasil S.A. Ag. 0335-2 - conta 5055-5 Nova Friburgo - RJ |
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Para nossas irmãs
| Donativos à ordem de: |
Endereço para correspondência: Mosteiro do Sagrado Coração de Jesus Caixa Postal 89756 Nova Friburgo - RJ 28633-970 Nova Friburgo - RJ |