Domingo, 8 de abril – Sentido:
Jesus falou-me muito das virtudes interiores. Ele deseja que não haja
nem movimento, nem uma palavra sequer, por parte daquela de quem gosta tanto,
que não seja regulada pela Sua Graça. Compreendi toda a extensão
que ele dava às virtudes interiores, humildes, desconhecidas, escondidas.
Compreendi sobre tudo que ele era a Luz e a Verdade. Inundava minha alma com
seus divinos raios que lhe permitem perceber a santidade verdadeira, prática,
profunda... Prometeu-me sua luz e disse-me que este era o dom maior que pudesse
me dar neste mundo. Esta luz divina que ilumina, que revela a santidade, os
preciosos segredos de Jesus, esta luz divina que traz o calor, o amor.
Voltando às virtudes interiores, pediu-me que amasse muito essas humildes
virtudes cuja existência ninguém suspeita e cuja beleza somente
Ele, sozinho, pode conhecer, e acrescentou: nunca pronuncie uma palavra em
teu próprio louvor, evite freqüentemente uma palavra, um gesto,
um olhar; caminhe até perder de vista com essas preciosas virtudes
escondidas; prefira o silêncio, ame passar despercebida, não
pronuncie jamais uma palavra inútil, sempre comigo, sempre habilidosa
em te esconder atrás do silêncio, da paz, do esquecimento das
criaturas; caminhe, caminhe. A perfeição não tem limites
– caminhe sempre mais para frente.
Remova cada dia os menores grãos de poeira. Essas virtudes tão
humildes, tão pequenas na aparência, são abismos que a
alma pode sempre aprofundar; minha filha, essas virtudes tão humildes,
tão modestas, são também tesouros que encantam meu divino
Coração. Olhe para a minha divina Mãe e contemple esta
obra-prima das virtudes interiores. Quero que nelas você progrida muito.
Para tanto, seja amável, mas com uma suave gravidade e um tanto séria,
seja paciente sem que se possa perceber tal ato de paciência de sua
parte; sem que se possa descobrir se algo te contrista ou te irrita; seja
tão boa que nada possa anuviar teu rosto, mas sempre com suave seriedade,
seja tão caridosa que teus lábios nunca profiram a menor crítica;
esteja sempre pronta a esquecer, a perdoar, a ajudar.
Seja tão discreta que passe despercebida.
Ao agir, faça pouco barulho; al falar, diga poucas palavras, submete
tua vontade cada vez que for possível sem faltar aos deveres; aceita
a opinião dos outros por condescendência, por virtude: teu Jesus
dar-te-á tato, a finura necessários para agir no momento certo,
sem fraqueza, sem abuso.
Procura mortificar-se em cada encontro com tanta boa vontade e finura que
somente Jesus seja testemunha.
Procura ser esquecida, não fala de ti mesma nem bem, nem mal: tenha
sempre um sorriso nos lábios e com tanta simplicidade que a própria
virtude pareça natural aos olhos de todos; ficará minorada pela
grandeza de sua própria perfeição.
Tendo falado assim, Jesus pediu-me ainda a coragem paciente, generosa, constante,
exigida por este esforço interior praticado, tão mortificante,
tão escondido, tão extenso, tão perpétuo...
Eu mesma notei algumas imperfeições, algumas palavras inúteis,
uma precipitação exagerada numa ação, um instante
de tristeza exagerada ao pensar na separação que tanto me fere.
Mas procurarei fazer melhor amanhã.
Jesus deu-me a entender que se tratava de um trabalho para toda a minha vida
e que o importante era nunca estar satisfeita, nunca descansar.
9 de abril.
Ele me pede não fazer nada que seja inútil: vou me esforçar
com afinco... nada de natural, tudo com acalma, tudo sem barulho, tudo com
mansidão, mesmo se for interrompida vinte vezes, tudo sem vontade própria
mas unicamente pela vontade d’ Ele, de tal forma que esteja pronta a
tudo deixar, tudo abandonar; enfim, um desprendimento total de modo a não
me deixar cativar nem por um instante, escolher as tarefas menos atraentes.