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BOLETIM DA SANTA CRUZ
Nº ESPECIAL - 2002
Caríssimos amigos e benfeitores,
Recebemos de Campos um extenso documento que a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney pediu-nos para publicar como direito de resposta ao nosso boletim.
Apesar dessa "resposta" ultrapassar de muito as dimensões habituais de nosso pequeno boletim, cremos que, tanto por honestidade intelectual como para esclarecer melhor nossa posição, é conveniente atender o pedido que nos foi feito. Por essa razão editamos este número especial com o texto de Campos e nossos comentários.
Gostaríamos de deixar bem claro que se levamos a público nossa posição sobre os acordos é porque consideramos esses mesmos acordos um grave perigo para a Fé e, portanto, o silêncio de nossa parte seria uma grave omissão.
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ir. Tomás de Aquino O.S.B.
prior
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RECONHECIMENTO DOS PADRES DE CAMPOS PELA SANTA SÉ
REFLEXÕES "INTRA MUROS"
1) " O PROBLEMA QUE NOS PREOCUPA" (Dom Marcel Lefebvre):
O fato de não ser reconhecido como católico,
estar de certo modo separado da hierarquia, ainda que por estado de necessidade,
deve constituir para todo bom católico um estado anormal, temporário,
um problema que preocupa, do qual ele deve procurar sair quanto antes na medida
das possibilidades e sentir-se feliz com a possibilidade de chegar ao fim
de tal anormalidade.
Assim era o pensamento de Dom Marcel Lefebvre, quando, nas
conversações travadas com a Santa Sé em 1988, escrevia
ao Cardeal Ratzinger:
"Tendo podido acompanhar os trabalhos da Comissão
encarregada de preparar uma solução aceitável para o
problema que nos preocupa, parece que, com a graça de Deus, nós
nos encaminhamos para um acordo, do que ficamos muito felizes" (carta
de 15/4/1988 - cf. Fideliter - le dossier complet).
Portanto, sentir-se satisfeito com a separação,
ficar contente e tranqüilo com a anormalidade, não ficar preocupado
com o problema, não querer de modo algum chegar a um entendimento,
rejeitar a priori toda tentativa de acordo, não é um bom espírito
nem um sentimento católico, do qual nos dá exemplo Dom Marcel
Lefebvre.
E é bom notar a data: 1988, dois anos após
o "encontro de Assis", um ano após o "encontro de Kyoto"
e um ano após a resposta às "dubia" de Dom Lefebvre.
Não tinha ocorrido nenhuma "conversão" das autoridades
na ocasião. E, apesar disso, Dom Lefebvre, preocupado com o problema,
procurava um acordo, e se dizia feliz com ele se realizar.
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| Ignoramos quem os Padres de Campos têm em vista ao
escreverem: "Portanto, sentir-se satisfeito com a separação,
ficar contente e tranqüilo com a anormalidade..." Querem eles
dizer que estamos contentes com essa anormalidade? Atribuem eles nossa atitude
a uma satisfação de estarmos separados daqueles que deveriam
nos confirmar na Fé? Escutemos o que dizia o Rev. Pe. Fernando Rifan
nos seus esclarecimentos sobre a Sagração de Bispos: "Sempre
desejamos a paz e a união. Foi o próprio D. Lefebvre que pediu
a Roma um visitador para a sua obra. Mas o acordo desejado só se
poderia realizar com a identidade da doutrina tradicional da Igreja. Caso
contrário, seria frágil e superficial."
Ora, perguntamos nós, houve nos acordos (ou
entendimentos) de Campos com Roma essa identidade da doutrina da qual fala
o Rev. Pe. Rifan? Infelizmente não.
Quanto a nós, lamentamos profundamente a crise
atual, lamentamos estarmos obrigados a nos separar dos que deveriam nos
guiar para Deus, mas lamentamos mais ainda a sorte daqueles que se submetem
a autoridades que não professam a doutrina tradicional da Igreja,
mas sim erros já condenados pela mesma.
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2) " A QUESTÃO
DA VISIBILIDADE DA IGREJA É DEMASIADO IMPORTANTE PARA A SUA EXISTÊNCIA..."
(Dom Marcel Lefebvre):
A Igreja Católica não é uma sociedade
espiritual invisível, composta apenas por aqueles que
têm a verdadeira Fé. Isso seria um conceito protestante de Igreja,
condenado pelo Magistério da Igreja (cf. Hervé, Manuale Theologiae
Dogmaticae, de Ecclesia Christi, n. 332). A Teologia Católica ensina
que a Igreja é visível enquanto sociedade hierárquica,
com unidade de Fé e de Governo.
"A visibilidade da Igreja consiste na
sua organização externa, manifesta a todos os olhares, à
qual organização devem pertencer todos os fiéis pelo
vínculo visível da mesma fé, externamente professada,
pelo vínculo da mesma obediência comum a uma autoridade visível
e pelo vínculo da participação dos mesmos sacramentos
instituídos por Cristo eis o elemento visível da Igreja"
(Dicionário de Teologia Católica - D.T.C., v. Église.
Col 2144).
Eis o que ensina o Papa Pio XII: "Estão,
pois, em erro perigoso aqueles que julgam poder unir-se a Cristo Cabeça
da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu Vigário na terra. Suprimida
a Cabeça visível e quebrados os vínculos visíveis
da unidade, obscurecem e deformam de tal manteira o Corpo místico
do Redentor, que não pode ser visto nem encontrado por
quantos demandam o porto da eterna salvação" (Encíclica
Mystici Corporis, n. 36).
O Concílio Vaticano I definiu que o Papa é
o "perpétuo princípio e fundamento visível
da unidade da Igreja" (Denz-Scho 3051), anatematizando quem dissesse
que São Pedro não teria perpétuos sucessores
no primado sobre toda a Igreja (Denz-Sho 3058). Repetindo sempre essa doutrina,
Dom Antônio de Castro Mayer ensinava: "O Papa é o chefe
da Igreja e, como tal, o sinal e a causa da unidade visível
da sociedade sobrenatural, internamente dirigida e vivificada pelo Espírito
Santo"(Instrução Pastoral sobre a Igreja, 2/3/1965, cap.
II).
Assim pensava Dom Marcel Lefebvre: "A questão
da visibilidade da Igreja é demasiado importante para a sua existência
para que Deus possa omiti-la durante décadas" (in Mons.
Lefebvre y la Sede Romana, Roma Aeterna, n. 112, pag. 5).
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Numa conferência feita no final de um
retiro sacerdotal realizado em Flavigny em 1988 (1)
Dom Lefebvre explicou claramente que a visibilidade da Igreja está
velada em Roma e não na Tradição. Nós continuamos
a guardar a doutrina dos Apóstolos, a unidade da Fé, a integridade
dos sacramentos, cujos frutos se vêem nas famílias com muitos
filhos da Tradição, nas escolas, nos seminários, conventos,
mosteiros, etc..
Ora, essa visibilidade da Igreja está
obscurecida em Roma, onde os cardeais não têm a unidade da
Fé, pois cada um tem idéias próprias sobre a doutrina,
não têm a apostolicidade, pois romperam com o passado, como
ilustra a seguinte conversa entre o Cardeal Ratzinger
e Dom Lefebvre:
"Eu disse um dia ao Cardeal Ratzinger:
‘Eminência, é necessário escolher: ou a liberdade religiosa
tal como está no Concílio ou então o Syllabus (2)
de Pio IX. Eles se excluem um ao outro e é necessário escolher.’
Então ele me disse: ‘Mas Excelência, nós não
estamos mais no tempo do Syllabus.’ – ‘Ah! disse eu, se é assim,
a verdade muda com o tempo. Se é assim, o que o senhor me diz hoje,
amanhã não será mais verdadeiro. Se é assim,
não há meio de nos entendermos. Estamos numa evolução
contínua. Assim é impossível conversar." (Conferência
dada à imprensa em Ecône em 15 de junho de 1988 e publicada
na revista Fideliter em número especial – 2ª edição
– 1988).
Além de romperem com a unidade
e apostolicidade, romperam também com a catolicidade, pois, como
diz Dom Lefebvre, cada Bispo tem uma doutrina diferente dos outros. Quanto
à santidade, os fatos estão diante de todos. Os países
outrora católicos avançam a passo acelerado para o abismo
da apostasia e da legalização de pecados que bradam ao Céu
e pedem vingança a Deus.
Em conclusão, diremos aos padres
de Campos que nós reconhecemos e respeitamos a hierarquia instituída
por Nosso Senhor Jesus Cristo, mas não podemos agir contra a Fé
para agradar aqueles que destroem a Igreja. Aliás, o Pe. Fernando
Rifan escrevia no seu esclarecimento sobre as sagrações de
1988: "Ora, romper com quem rompeu com a Tradição, não
é cisma, é fidelidade. Não se pode ter uma união
de caridade com quem rompeu com a unidade da Fé da Igreja."
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3) "NEM HEREGES NEM CISMÁTICOS: ESSA DEVE SER NOSSA ATITUDE NA CRISE ATUAL" (Dom Marcel Lefebvre):
Essa a atitude de equilíbrio que devemos ter na crise atual por que passa a Santa Igreja. Nem sermos hereges, quer dizer, não aderirmos aos erros já condenados pelo Magistério da Igreja, especialmente o modernismo, o falso ecumenismo, o indiferentismo religioso, etc; nem tampouco sermos cismáticos, quer dizer, separarmo-nos da unidade de governo da Igreja. E se por necessidade, houver uma situação de separação, que ela seja temporária e, durante ela, mantermos sempre o vivo desejo de normalização, sem alimentarmos jamais o espírito de cisma.
E o Magistério da Igreja (Leão XIII - Satis Cognitum) nos ensina que a unidade de regime ou de governo é tão necessária quanto a unidade de Fé.
É o que ensinava Dom Lefebvre: "Prefiro partir do princípio de que tem que se defender nossa fé... Se alguém ataca a nossa fé, dizemos: não! Mas daqui a dizer em seguida que, porque alguém ataca nossa fé, é herético, logo não é mais autoridade, logo seus atos não têm nenhum valor... Cuidado, cuidado, cuidado!... Não nos metamos em um círculo infernal do qual não saberemos como sair. Nesta atitude existe um verdadeiro perigo de cisma... Queremos permanecer aderidos a Roma, ao sucessor de Pedro, mas rechaçamos seu liberalismo por fidelidade aos seus antecessores...Por isso longe de rechaçar as orações pelo Papa, aumentamos nossas rezas e suplicamos para que o Espírito Santo o ilumine e o fortaleça no sustento e defesa da fé... Por isso jamais rejeitei ir a Roma a seu chamado ou ao chamado de seus representantes. A verdade deve firmar-se em Roma mais do que em qualquer outro lugar. Pertence a Deus quem a fará triunfar... Creio necessário fazer essas precisões para permanecer dentro do espírito da Igreja... (in Mons. Lefebvre y la Sede Romana, Roma Aeterna n.112, pag. 5 e 6,).
Dom Marcel Lefebvre conhecia a condenação das proposições de Wiclef e de João Huss, hereges predecessores do protestantismo, que afirmavam que um papa mau perde a autoridade sobre os fiéis (Cfr. Denz.-Scho 1158 e 1222), proposições condenadas como não católicas (Denz,-Scho 1251).
Aliás, é um dogma da Fé católica: "Declaramos, dizemos e definimos ser totalmente necessário à salvação que todos os homens se submetam ao Romano Pontífice" (Bonifácio VIII, Bula Unam Sanctam, Dz-Sh 875).
E o Pe. Franz Schmidberger, primeiro sucessor de Dom Lefebvre na Fraternidade São Pio X, falando das atuais tratativas com a Santa Sé, explanou "a importância de se manter contatos com Roma para não se cair numa mentalidade cismática" (conferência nos EEUU, apud Newsletter of SSPX in the UK, Agosto-Setembro de 2001-Editorial).
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Esta é exatamente a nossa posição
e tememos que Campos tenha perdido o equilíbrio que até agora
havia mantido. Para fugir de um suposto cisma, Campos se põe sob
a autoridade dos que destroem a Igreja.
Ora, Dom Lefebvre dizia ser altamente
perigoso estar sob a autoridade daqueles que não professam os princípios
da Fé católica. Essa experiência já foi feita
por Fontgombault, Dom Augustin, os seminaristas de Mater Ecclesiae, Dom
Gérard, Fraternidade São Pedro para citar só os mais
conhecidos. Pensamos que com esses acordos Campos perde a santa liberdade
que possuía de defender intrepidamente a Fé como outrora.
Não somos contra acordos nem contra
contatos com Roma e muito menos contra uma regularização da
situação da Tradição. No entanto, pensamos que
a hora para tal regularização ainda não chegou, pois
Roma continua a renovar o escândalo de Assis, o escândalo da
Nova Missa e dos erros e reformas do Vaticano II.
Escrevendo ao Santo Padre, Dom Lefebvre
dizia:
"Santíssimo Padre,
Os colóquios e conversas com o Cardeal
Ratzinger e seus colaboradores, apesar de terem sido realizados numa atmosfera
de cortesia e caridade, nos convenceram que o momento de uma colaboração
franca e eficaz ainda não chegou".
E Dom Lefebvre dizia aos jornalistas a
razão, na conferência dada à imprensa em Ecône
em 15 de junho de 1988: "O objetivo dessa reconciliação
não é de modo algum o mesmo para a Santa Sé e para
nós". (Fideliter - nº especial – 1988 – pág. 14).
Quanto à submissão ao Soberano
Pontífice, da qual fala Campos citando Bonifácio VIII, é
evidente que ela não deve ser praticada quando o Papa destrói
a Igreja. Eis o que diz São Roberto Belarmino,
freqüentemente citado pelos Padres de Campos em várias publicações
anteriores aos acordos:
"Assim como é lícito
resistir ao Papa que agride o corpo, também se deve resistir ao Papa
que agride as almas ou que perturba a ordem civil e, sobretudo, aquele que
tentasse destruir a Igreja. É lícito resistir-lhe não
fazendo o que ele manda e impedindo a execução da sua vontade".
(De Rom. Pont., lib II, c. 29)
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4) "QUEM VOS DESPREZA, A MIM DESPREZA" (Jesus aos Apóstolos e sucessores - Lc 10,16). Respeito pelas autoridades da Igreja.
Santo Inácio de Loyola, nos seus Exercícios Espirituais, na 10a Regra para se sentir com a Igreja, ensina que devemos ser mais prontos para louvar as diretrizes e comportamento dos nossos superiores do que para os criticar. E que, mesmo quando não são boas, falar contra eles, em público ou em conversas, originaria mais críticas e escândalo do que proveito. Desprestigiaria a autoridade. Pode ser útil falar às pessoas que podem remediar o mal.
Assim, Dom Fellay, em entrevista à revista "30 DIAS", à afirmação do jornalista: "Sejamos realistas. É realmente difícil que Roma possa dizer: erramos com o Concílio Vaticano II", respondeu: "O senhor tem razão: precisamos ser realistas. Não esperamos que o Vaticano efetue um grande mea culpa, dizendo coisas do tipo: ‘Promulgamos uma falsa missa’. Não queremos que a autoridade da Igreja seja mais diminuída ainda. Já foi o bastante: agora chega..."
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Uma coisa é desprezar, outra é
resistir. Um ex-seminarista do seminário de Orleans na França
testemunhou que na Fraternidade São Pio X se reza pelo Papa e se
manifesta respeito por ele muito mais do que no seminário de Orleans.
(Cf. Nouvelles de Chritiente – nº 73 pág.14-16).
Nós não desprezamos as autoridades,
mas resistimos-lhes quando elas nos obrigam a agir contra a Fé.
Dom Lefebvre falou publicamente do pecado
público que constituiu a reunião de Assis. E Dom Lefebvre
agiu assim porque o bem comum das almas estava em jogo. Assim fez São
Paulo ao resistir publicamente a São Pedro.
Quanto a Dom Fellay, ele deseja que a
autoridade da Igreja não seja ainda mais diminuída do que
já está. Mas isso depende de Roma e não de nós.
É o Santo Padre que humilha a Sede Pontifícia pelos seus atos.
Por ocasião de Assis, Dom Fellay não hesitou elevar a voz
para defender a Fé dos católicos e dizer publicamente que
ele não queria ter nenhuma participação (nullam partem!)
nessa abominação.
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5) "CUIDADO COM AS EXPRESSÕES ‘DUAS ROMAS’, ‘DUAS IGREJAS’ (Pe. Michel Simoulin, Fraternidade São Pio X).
"As expressões "duas Romas", "duas Igrejas", só são justas dentro dos limites da analogia: se se lhes força o sentido, podem se tornar fonte de confusões e gerar um maniqueísmo, no qual se perde o sentido da Igreja, a fé na sua divindade e o simples senso do sobrenatural" (Pe. Michel Simoulin, superior do Distrito da Itália, da Fraternidade São Pio X, artigo "Na crise da Igreja, um pouco de romanidade verdadeira", in Communicantes, maio de 2001).
"... Dom Lefebvre nunca hesitou ir a Roma, ou pedir à Roma progressista deixar fazer a experiência da Tradição, ou pedir o reconhecimento da Fraternidade e a permissão de sagrar bispos, etc., porque acreditava que a Igreja vivia ainda em Roma e podia usar dos órgãos conciliares para fazer o bem..."
"...Não devemos nós ajudá-la a isso, se tal possibilidade nos é oferecida?"
(Pe. Michel Simoulin, ibidem).
Devemos nos recordar também da condenação dos Fraticelli e da sua errônea teoria das duas igrejas (Denz-Scho 911) condenada como herética e insana (Denz-Scho 916).
Como disse bem o Pe. Franz Shmidberger, primeiro sucessor de Dom Lefebvre e atual primeiro assistente da Fraternidade São Pio X: "Devemos manter sempre o contato com Roma, para evitarmos todo o espírito de cisma" (Conferência nos EEUU,).
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Eis o que Dom Lefebvre dizia na conferência de 15
de junho de 1988 em Ecône (Fideliter – Pág.12-13):
"O Cardeal (trata-se do Cardeal Ratzinger) repetiu-me
várias vezes: ‘Excelência, não há senão
uma Igreja, não pode haver Igreja paralela.’ Eu lhe respondi: ‘Eminência,
não somos nós que fazemos uma Igreja paralela, uma vez que
nós continuamos a Igreja de sempre. São os senhores que fazem
uma Igreja paralela, tendo inventado a Igreja do Concílio, a qual
o Cardeal Benelli chamou de Igreja Conciliar. São os senhores que
inventaram uma nova igreja e não nós. São os senhores
que fizeram novos catecismos, novos sacramentos, uma nova missa, uma nova
liturgia. Não fomos nós. Nós continuamos o que se fazia
no passado. Não somos nós que fazemos uma nova igreja.’ ".
Quanto à expressão duas igrejas, é
evidente que há uma só Igreja fundada por Nosso Senhor. A
outra é como um parasita no tronco da verdadeira Igreja, é
a igreja conciliar do Cardeal Benelli, que reúne os que querem destruir
a Igreja, mas que nunca o conseguirão, pois ela e só ela tem
promessas de vida eterna. Como essa Anti-Igreja dá todos os sinais
de estar de certa forma organizada, pois, como dizia Corção,
é necessário um pouco de ordem para semear a desordem, é
lícito chamá-la de igreja no sentido de uma organização
que se opõe à Igreja e tenta destruí-la, à semelhança
da cidade terrena que combate a cidade celestial, das quais fala Santo Agostinho.
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6) "É SUBVERSÃO HERÉTICA,
POR DESCONFIANÇA DA HIERARQUIA, SEGUIR HABITUALMENTE ALGUÉM,
NÃO MEMBRO DA HIERARQUIA, COMO PORTA-VOZ E ÁRBITRO DA ORTODOXIA"
(Dom Antônio de Castro Mayer, bispo diocesano de Campos):
Falando de um outro assunto, Dom Antônio de Castro Mayer nos dá os princípios que podem servir de advertência no presente caso: "Há hoje, dolorosamente, outras marcas de heresia. Assim essa que vai à busca de um Profeta, a quem seguir, sob o pretexto de que toda a hierarquia falhou! Caso toda a hierarquia viesse a falhar, seria a palavra de Jesus Cristo que teria falhado, pois o Divino Salvador confiou à hierarquia o governo e a direção de sua Igreja até o fim dos séculos e, mais, sua assistência para que ela não falhasse" (Monitor Campista, 26/1/1986).
O mesmo disse São Roberto Belarmino: "Se todos
os Bispos errassem, toda a Igreja erraria, pois o povo é obrigado a
seguir os seus Pastores, como disse Jesus em S. Lucas 10,16: ‘Quem vos ouve,
a mim ouve’e São Mateus 23,3: ‘Fazei tudo quanto vos disserem."
(Liber III Cap XIV De Ecclesia Militante).
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Quem está sendo visado pelos Padres de Campos aqui?
A Tradição? Nesse caso a acusação cai por terra,
pois Dom Lefebvre e Dom Antônio eram membros da hierarquia.
Quanto à citação de São Belarmino,
que diz: "Se todos os Bispos errassem, toda a Igreja erraria..."
a resposta é evidente: nem todos os Bispos erraram, pois Dom Lefebvre
e Dom Antônio permaneceram firmes na Fé.
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7) "A SOLUÇÃO PODERÁ SER
POR ETAPAS, MESMO NUMA SITUAÇÃO UM POUCO HÍBRIDA, DE
PARÓQUIAS PESSOAIS RECONHECIDAS AO LADO DAS PAROQUIAS ATUAIS"
(Dom Marcel Lefebvre).
Dom Lefebvre aceitava que a solução poderia
vir por etapas: ‘’E possivel que um dia os bispos conscientes de seu
cargo acabem por dizer: ‘Está bem, esta paróquia fica reconhecida
de agora em diante’; mesmo, talvez, numa situação um pouco híbrida,
eu diria, no sentido de que eles diriam: ‘as paróquias atuais continuam
no que elas têm feito até hoje, mas nós reconhecemos esta
paróquia pessoal para todas as pessoas que queiram ir lá e frequentar
e ir aos sacerdotes, nós os reconhecemos também’. Isto seria
talvez uma solução... eu diria... uma etapa, talvez, eu
não conheço o futuro... Mas é possível. Em
todo caso, é preciso estar nessas disposições e não
numa disposição de ruptura nem numa disposição
de oposição por oposição, de oposição
à Igreja, por nada desse mundo." (Dom Marcel Lefebvre
- Econe, 3/3/1977- Conf. DICI n. 7, 11/5/2201 - pag. 17).
Em entrevista à revista "30 Dias", à
pergunta :"Então, o que o Vaticano poderia fazer, concretamente,
para reatar as relações com vocês?", Dom Fellay respondeu
: "Nas passagens práticas, sobre como fazer para resolver
os problemas, a sabedoria e a habilidade de Roma são grandíssimas.
Portanto pode encontrar as fórmulas adequadas".
E sobre a proposta da Administração Apostólica,
Dom Fellay comentou: "Esta é uma proposta extraordinária,
e se Roma quiser uma verdadeira reforma, esse é o caminho que seria
preciso tomar..." (entrevista ao Pacte, n. 56, eté 2001
- Cf. DICI n. 16 - 13/7/2001).
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Tudo consiste em saber se os acordos de Campos são
uma etapa para a vitória ou para a derrota da Tradição
em Campos. Queira Deus que nos enganemos, mas tudo o que lemos ou vimos
nos faz temer que esses acordos marcam o começo da diminuição
da vigilância doutrinal em Campos, com todas as conseqüências
que esta atitude comporta.
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8) "DEIXAI-NOS FAZER A EXPERIÊNCIA DA TRADIÇÃO"
( Dom Marcel Lefebvre ao Papa).
Às vezes, nas tratativas de reconciliação,
é preciso usar o argumento "ad hominem", isto
é, usar palavras e evocar princípios que são aceitos
pelos interlocutores, para que em boa lógica eles tirem boas conclusões,
sem querer com isso significar que adotamos aqueles pontos de vista.
Assim Dom Lefebvre pedia até que lhe deixassem
a tradição em nome do pluralismo atual, entre as muitas "experiências"
atuais: "O Papa João Paulo II..., por ocasião da
audiência que me concedeu em novembro de 1979, parecia bastante disposto,
após uma conversação prolongada, a deixar a liberdade
de escolha na liturgia, a deixar-me fazer, no final de contas, o que
eu solicito desde o começo: entre todas as experiências
que são efetuadas na Igreja, ‘a experiência da tradição’"
(Dom Marcel Lefebvre, 1984, in Carta aberta aos católicos perplexos,
XX). Isso não quer dizer que Dom Lefebvre concordasse com todas as
"experiências que são efetuadas na Igreja".
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Uma coisa é mostrar a Roma a sua incoerência
e outra é fazer um acordo. Dom Lefebvre mostrou claramente que Roma
permitia todas as experiências menos a da Tradição,
mas nunca fez acordos com os modernistas, pois ele constatou que os objetivos
de Roma não eram os mesmos que os da Tradição.
"Nós sentimos durante os colóquios
um desejo, uma vontade de nos conduzir ao Concílio", isto é,
de fazer Dom Lefebvre aceitar o Concílio Vaticano II. (Fideliter
pág. 13)
"Eu sempre tive um sentimento de
desconfiança e devo confessar que sempre pensei que tudo o que eles
faziam era para nos levar a aceitar o Concílio e as reformas pós-conciliares.
Eles não podem admitir (nossa atitude) e, aliás, o Cardeal
disse recentemente numa entrevista a um jornal alemão: ‘Nós
não podemos admitir que haja grupos depois do Concílio que
não admitam o Concílio e as reformas que foram feitas depois
do Concílio. Nós não podemos admitir isso.’ ".
(Fideliter – 1988- pág. 12).
A situação mudou de lá
para cá? Não creio, pois o Osservatore Romano do dia 26 de
janeiro de 2002 escrevia, apresentando o Autógrafo Pontifício
para D. Licínio Rangel e a União "São João
Maria Vianney":
"Durante a celebração
(do 18 de janeiro), Dom Rangel fez a Profissão de Fé, emitiu
o juramento de fidelidade ao Sumo Pontífice, declarando ao mesmo
tempo que aceitava todos os ensinamentos do Concílio Ecumênico
Vaticano II".
Esses e outros textos e declarações
deixam bem evidente que Roma tem o mesmo objetivo que tinha em 1988, ou
seja, de levar a Tradição a aceitar o Vaticano II.
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9) "TUDO TEM SEU TEMPO... TEMPO DE SE CALAR E TEMPO DE FALAR"
( Ecle 3, 1 e 7).
Jesus viveu no tempo em que a escravidão era comum na sociedade. A escravidão é um mal. E Jesus não falou nem uma vez sequer contra a escravidão. Isso provocaria uma dissolução social. Mas Jesus colocou as bases, - as virtudes cristãs da justiça, humildade e caridade, - que, com a penetração do cristianismo na sociedade, fizeram abolir a escravidão. Às vezes é preciso esperar o momento oportuno. É preciso observar as circunstâncias e a capacidade de recepção da crítica. E por vezes o combate positivo é mais frutuoso que o negativo.
Assim a Fraternidade São Pio X, ao conseguir usar as Basílicas Romanas no Jubileu do Ano 2000, não aproveitou os microfones para falar contra os erros atuais da chamada Roma modernista. E os padres da Fraternidade, organizadores do jubileu, pediram aos sacerdotes que fossem falar nas Basílicas, que baixassem o tom e não falassem duramente contra as autoridades. E Dom Fellay, ao passar pelas Portas Santas, não protestou pelo fato de o Papa as ter aberto acompanhado de representantes de outras religiões. E o mesmo Dom Fellay, ao falar dos microfones das Basílicas, usou de um tom bem moderado e não criticou a Igreja Conciliar, apesar de ali ser uma oportunidade única. O mesmo aconteceu quando celebrou a Missa na Basílica de Santa Maria Maior. Só as pessoas de mau espírito é que imaginariam que ele falhou na profissão de Fé ao proceder assim. "Tudo tem seu tempo".
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Quando Nosso Senhor é ofendido como
em Assis, não nos parece ser tempo de se calar, mas sim de falar.
É bom lembrar aqui as palavras de Santo Hilário aos Bispos
que haviam aceitado assinar uma profissão de Fé ambígua
e semi-ariana:
"Um escravo, dizia Santo Hilário,
não digo um bom escravo, mas um escravo suportável não
pode tolerar que se injurie o seu mestre: ele o vinga se ele pode fazê-lo.
Um soldado defende o seu rei, mesmo com o perigo de sua vida, mesmo fazendo
de seu corpo um escudo. Um cachorro late ao menor indício e ataca
ao primeiro sinal. Vós, vós escutais dizer que o Cristo, o
verdadeiro Filho de Deus não é Deus: vosso silêncio
é uma adesão a esta blasfêmia e vós vos calais!"
(Histoire de l’Eglise – Fliche et Martin – editores Bloud et
Gay – 1947 tomo 3 pág. 168)
Tememos que o silêncio de Campos se
prolongue e que a reunião de Assis de 24 de janeiro
se perca nas memórias e que outras afrontas feitas a Nosso Senhor,
como a declaração da validade da anáfora de Addaï
e Mari (3)
(um cânon de missa sem as palavras da consagração),
também passem sob silêncio. |
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10) "NÃO JULGUEIS E NÃO SEREIS JULGADOS, NÃO CONDENEIS E NÃO SEREIS CONDENADOS" (Jesus em Lc 6,37). "NÃO JULGUEIS ANTES DO TEMPO" ( São Paulo em 1 Cor 4,5).
"Todas as coisas aparecem amarelas aos olhos dos afetados por icterícia... A malícia do juízo temerário, dum modo semelhante a esta doença, faz aparecer tudo mau aos olhos dos que são por ela afetados... Se uma ação tivesse cem aspectos diferentes, deveríamos encará-la unicamente pelo lado melhor..." (S. Francisco de Sales, Filotéia, III, 27).
E "quem tira injustamente a boa fama ao seu próximo, além do pecado que comete, está obrigado à restituição..." (idem, ibidem III,28). |
| Dom Gérard também dizia que
não se devia julgar a sua atitude, que era preciso esperar. Ora,
a grave dificuldade que daí decorre é a seguinte: daqui a
um ano as posições tomadas já se terão cristalizado
e poucos mudarão de lado, por causa dos incômodos e sofrimentos
que uma separação tão grave costuma causar.
Quanto a julgar, deve-se distinguir entre
as intenções e o acordo propriamente dito. O acordo pode e
deve ser julgado, pois não podemos ficar neutros. Os próprios
Padres de Campos julgaram bom aceitá-los, e a Fraternidade, ao contrário,
julgou um erro fazê-lo. Tanto Campos como o resto da Tradição
julgou os acordos; uns para aceitá-los, outros para lamentá-los.
No que toca as intenções
de fato, só Deus as conhece. É por essa razão que a
reação da Tradição no mundo inteiro foi, antes
de tudo, a de espanto, pois ninguém esperava essa atitude da parte
dos discípulos de Dom Antônio.
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11) "UMA ANDORINHA NÃO FAZ A PRIMAVERA, MAS PODE CONTRIBUIR PARA ISSO": (Pe. Michel Beaumont, da Fraternidade São Pio X, sobre o elogio que o Papa atual fez do Missal romano tradicional, dito de São Pio V, e sobre as boas observações do Cardeal Ratzinger sobre a Liturgia):
"Diante de um muro hostil, toda brecha é bem-vinda. Ela manisfesta ao menos que o combate não é inútil. Uma andorinha acaba de atravessar o céu. Ela não é a primavera, ela não substitui a primavera da Igreja, que nós desejamos de todo o coração, e para a qual nós trabalhamos de nossa parte. Mas uma andorinha anuncia a primavera, ela pode pois dar força e coragem para esperá-la" (Pe. Michel Beaumont - Cfr. www.le-combat-catholique.com).
É nessa linha de pensamento que muito bem disse Dom Fellay: "Se houver uma oportunidade, uma só, de que os contatos com Roma possam fazer voltar um pouco mais de Tradição na Igreja, eu penso que nós devemos aproveitar a ocasião" (Dom Fellay, Fideliter, n. 140, p.7).
Por isso o Pe. Pierre-Marie Laurençon, superior do Distrito da França, da Fraternidade São Pio X, contou como uma grande vitória para a Tradição o fato de os fiéis tradicionalistas terem conseguido a celebração da Missa de São Pio V, pela primeira vez em 20 anos, na Basílica (moderna) subterrânea de São Pio X, no Santuário de Lourdes, na peregrinação de 28 de outubro de2001. "Foi talvez O milagre de Lourdes para o ano 2001! Nossos fiéis não poderão mais nos criticar de que nos contentamos com migalhas, deixando as autoridades de Lourdes nos confinar em uma sala periférica do santuário para as nossas cerimônias!... Não devemos interpretar esta bela vitória como um sinal de esperança para o retorno de Roma à sua Tradição? " (Carta aos amigos e benfeitores, Janeiro de 2002).
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Tudo consiste em saber se esta andorinha
que atravessou o céu de Campos é a primeira que chega anunciando
a primavera, ou a primeira que parte anunciando um rigoroso
inverno.
Tudo consiste em saber se Campos aproveitou
a ocasião ou se foram os modernistas que a aproveitaram. Gostaríamos
de estar enganados, mas tudo nos leva a crer que foram os modernistas que
ganharam com os acordos. Basta ler os textos provenientes de Campos e compará-los
com os de Dom Antônio e de Dom Lefebvre.
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12) "EU CREIO NA POSSIBILIDADE DE UM ACORDO
PRÁTICO E NA TOTAL INUTILIDADE DE DISCUSSÕES DOUTRINAIS NO MOMENTO
ATUAL" (Pe. Philipe Laguérie, Fraternidade São Pio X):
"Eis minha conclusão - surpreendente, talvez:
eu creio na possibilidade de um acordo prático e na inutilidade
total das discussões doutrinais na hora presente...Perde-se o tempo
- e talvez a própria alma - com essas discussões que não
chegam nunca a uma conclusão, pelo motivo evidente de que elas não
têm a menor problemática comum. Isso quer dizer que eu sou contra
todo acordo? Não, pelo contrário. Se um acordo doutrinal só
será possível dentro de 20 ou 30 anos, isso não é
uma razão para renunciar ao acordo..." (DICI n. 8, 18/5/2001,
pag.12).
A Fraternidade São Pio X pediu ao Cardeal de
Paris uma Igreja para que os seus fiéis pudessem visitar para
o jubileu do ano 2000. Cederam-lhes a Igreja de São Sulpício,
na qual os fiéis rezaram, conduzidos pelos padres da Fraternidade,
sendo recebido pelo pároco local que lhes dirigiu palavras de acolhimento.
Foi um acordo prático, frutuoso, ser ter sido resolvida
a questão doutrinária.
Assim também a mesma Fraternidade São
Pio X, por ocasião da Peregrinação a Roma pelo
Jubileu do ano 2000, fez um acordo prático com o Vaticano, no sentido
de que lhe fosse permitida a entrada nas basílicas. O Vaticano cedeu-lhes
a entrada nas Basílicas, o uso dos microfones pelos Bispos, mas
não lhes permitiu a Missa. Foi um acordo prático,não
totalmente satisfatório pois não foi permitida a Santa Missa
tradicional, mas que teve muitos frutos, mesmo sem ter sido resolvida a questão
doutrinária.
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O grande abade beneditino, Dom Paul Delatte,
dizia que nada mais prático do que a doutrina. Não vejo comose pode nem mesmo conversar sem falar de doutrina, quanto mais
firmar um acordo com deveres e direitos que engajam a consciência.
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13) "O CASO DA FRATERNIDADE SÃO PIO
X É DIFERENTE DO CASO DA DIOCESE DE CAMPOS. NÃO SE DEVE LIGAR
O CASO DE CAMPOS À FRATERNIDADE" (Dom Marcel Lefebvre):
Deus, na atual crise da Igreja, quis suscitar dois bispos
fiéis que resistissem ao atual modernismo, de modo peculiar, com suas
características próprias: Dom Marcel Lefebvre, um bispo missionário,
para um apostolado mais universal, e Dom Antônio de Castro Mayer, um
bispo diocesano, para um apostolado mais no estilo diocesano. Assim deveriam
continuar os seus filhos no sacerdócio, unidos na mesma doutrina mas
por caminhos próprios. Essa era a opinião de Dom Antônio
de Castro Mayer, com a qual concordava Dom Lefebvre, que assim lhe escreveu
sobre o problema de uma eventual sagração: "O caso
da Fraternidade Sacerdotal São Pio X se apresenta de modo diferente
do caso da Diocese de Campos. Parece-me que o caso da Diocese de Campos é
mais simples, mais clássico... É por isso que, a meu ver,
não se deve ligar o caso de Campos à Fraternidade... Os
casos devem ser bem separados. Isso não é sem importância
para a opinião pública e para a Roma atual. A Fraternidade não
deve ser envolvida e deixa toda a responsabilidade, legítima aliás,
aos padres e aos fiéis de Campos... Eis minha opinião; eu penso
que ela se apóia sobre as leis fundamentais do direito eclesiástico
e sobre a Tradição...".
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Isso não muda nada a respeito dos acordos
realizados por Campos. A pergunta é: Esses acordos (ou entendimentos)
são bons para Campos ou não? Nós estimamos que eles
são ruins, independentemente do caso da Fraternidade. Eles são
ruins, pois estabelecem uma situação ambígua. Eles
são ruins porque seus frutos, que já começaram a se
manifestar nos documentos redigidos pelos Padres e pelas atitudes adotadas,
são ruins.
Como bem disse o irmão João
Batista, antigo seminarista de Campos do tempo de Dom Antônio, "os
padres mudaram". É essa mudança que causa espanto e
tristeza na Tradição. Que o caso de Campos seja
diferente do caso da Fraternidade não muda nada no fato de que "Campos
mudou".
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14) "SE O PAPA ME CHAMAR, EU ACORRO. POR
OBEDIÊNCIA" (Dom Fellay): "Se o Papa me chama, eu
vou, aliás eu corro. Isto é certo. Por obediência. Por
filial respeito para com o chefe da Igreja" (Dom Bernard Fellay, superior
geral da Fraternidade São Pio X, entrevista revista 30 dias, setembro
de 2000).
"Queremos permanecer aderidos a Roma, ao sucessor de Pedro...
Por isso jamais rejeitei ir a Roma a seu chamado ou ao chamado de seus
representantes" (Dom Marcel Lefebvre).
"A preocupação com a nossa unidade e com a nossa
preservação não nos deve fazer esquecer nossa obrigação
de servir à Igreja" (Dom Fellay, Fideliter, n. 140. p. 7).
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Acorrer é uma coisa, fazer um mal acordo é
outra.
Um acordo com Roma é algo desejável,
mas o tempo de uma verdadeira cooperação já chegou?
Assis, as últimas nomeações de cardeais, a declaração
da validade de um cânon sem as palavras da consagração,
provam, ao que nos parece, que este momento não chegou ainda. Mas
devemos rezar para que ele chegue um dia. Dom Lefebvre havia dito: "Preparem-se
para uma luta de longa duração." Nada prova que esta
crise esteja no seu final.
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15) "ET NOS CREDIDIMUS CARITATI" (Lema de Dom Marcel Lefebvre):
"Sejamos herdeiros do sua caridade... Os
membros da Fraternidade facilmente poderíamos ser tentados a nos conformarmos
com o que temos. Para que mais, se estamos bem? Conservamos nossos poucos
fiéis... Eu sairia correndo se alguém viesse me oferecer a paróquia
de La Reja... Mas tenhamos cuidado de não esconder o dinheiro que nos
foi dado sem deixá-lo frutificar, porque será tirado. Sim, hoje
o digo especialmente pelos contatos que teve a Fraternidade com Roma. Claro
que assustam! Nós estamos bem, para que queremos
mais?! Mas não é por nós, é para tantos
próximos os quais não podemos esquecer sem trair o impulso de
caridade que Deus colocou no coração de nosso fundador"
(Padre Alvaro Calderón, Fraternidade São Pio X, sermão
do dia 25 de março de 2001).
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A caridade não consiste em cessar de combater os
erros, mas, ao contrário, em denunciá-los para trazer à
verdade os que dela se afastaram, como tem feito a Fraternidade São
Pio X em todos os continentes da terra. A Tradição não
tem que se culpar de nada nesse ponto.
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16) "...MESTRE, ... NÓS LHE PROIBIMOS,
PORQUE NÃO ANDA CONOSCO. JESUS RESPONDEU: NÃO O PROIBAIS, POIS
QUEM NÃO É CONTRA VÓS, ESTÁ A VOSSO FAVOR"
(JESUS em Lc 9,49-50):
Comentário: "O Senhor previne os Apóstolos,
e depois deles todos os cristãos, contra o exclusivismo e o espírito
de partido único na tarefa apostólica, que se exprime no falso
refrão: "O bem, se não o faço eu, já não
é bem". Pelo contrário, devemos assimilar este ensinamento
de Cristo, porque o bem é bem, mesmo que o não faça eu"
(Bíblia Sagrada, edições Theologica Braga). (cf Phil
1, 15-18).
Essa é abertura de visão que tinha Dom Marcel
Lefebvre, ao ver vantagem para a Igreja até nas "missas do indulto",
as quais foram concedidas, segundo ele, sob inaceitáveis condições:
"Mas esse primeiro gesto - rezemos para que haja outros dessa espécie
- tira a suspeita indevidamente lançada sobre a missa e libera as consciências
dos católicos perplexos que hesitavam ainda em assistí-la"
( Dom Marcel Lefebvre - Carta aberta aos católicos perplexos, XX).
Assim também Dom Bernard Fellay, em conferência
em Campos em novembro de 2000, relatou aos nossos fiéis, com alegria,
que a missa tradicional é celebrada em cerca de cem dioceses dos Estados
Unidos. "Missas do Indulto", em sua grande maioria, promovidas por
outros grupos tradicionais diferentes da Fraternidade São Pio X.
Também Dom Lefebvre, em carta aos padres
do Distrito da França, dizia: "Parece-me que
devemos ir sobretudo aonde se nos chama e não dar a impressão
de que temos uma jurisdição universal, nem uma jurisdição
sobre um país ou uma região. Seria basear
nosso apostolado sobre uma base falsa e ilusória. Por isso,
igualmente, se outros sacerdotes satisfazem normalmente às necessidades
dos fiéis, não temos por que nos imiscuirmos em seu apostolado,
mas sim nos alegrarmos de que haja outros sacerdotes católicos
que se levantam para salvar as almas" (27/4/1987).
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Dom Gérard também usou desse argumento. Hoje
ele defende a Liberdade Religiosa e já participou da Missa Crismal
com o rito novo, além de já ter concelebrado a Missa Nova.
Todos os que se puseram sob a tutela das autoridades modernistas
acabaram por ceder em um ou outro ponto. Eis o que tememos para Campos.
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Nem todas essas considerações devem necessariamente
ser tomadas ao pé da letra, devendo ser adaptadas às diversas
circunstâncias, mas demonstram bem o "sensus romanus"
, o bom espírito católico, que animava os santos e a
Dom Marcel Lefebve e Dom Antônio de Castro Mayer. Que os seus filhos
no sacerdócio guardem o mesmo espírito.
" ET NOS CREDIDIMUS CARITATI" (Lema
de Dom Marcel Lefebvre).
" IPSA CONTERET" (Lema de Dom Antônio
de Castro Mayer).
"In principiis unitas, in dubiis libertas, in
omnibus caritas" (S. Agostinho).
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Conclusão
O texto da Administração
Apostólica termina com a máxima de Santo Agostinho:
"In principiis unitas, in dubiis
libertas, in omnibus caritas."
a) In principiis unitas.
Eis aqui o ponto principal da questão.
Por quanto tempo Campos resistirá às pressões modernistas?
Em 1988 o ver. Pe. Fernando Rifan escrevia:
"A impossibilidade de se recorrer
às autoridades competentes é evidente. Com efeito, constata-se
dolorosamente a cooperação de Roma com a destruição
geral da Fé católica. Como disse Dom Lefebvre (sermão
de 29/6/87), Roma promove atualmente o Panteon de todas as religiões,
como o fizeram os imperadores pagãos. Como recorrer a Roma quando
é Roma que entretém o mal?! Se foi a Roma atual que promoveu
o famigerado encontro de todas as religiões em Assis, convidando-as
inclusive a invocarem os seus falsos deuses, o que veio a ser, incontestavelmente,
uma injúria a Deus, uma negação da necessidade da Redenção,
uma falta de justiça e de caridade para com os infiéis, um
escândalo para os católicos e uma traição à
missão da Igreja e de Pedro, como recorrer a ela para manter a Tradição?!
Cumpre-se tristemente a profecia de Nossa Senhora em La Salette: ‘Roma perderá
a Fé e se tornará a sede do Anti-Cristo’." (Esclarecimento
sobre a Sagração de Bispos.)
Ora, que mudança houve em Roma
de lá para cá que justifique esses acordos? A reunião
de Assis é renovada, um bispo que não crê na
ressurreição de Nosso Senhor é feito cardeal
(Cardeal Kasper), um cânon da missa sem as palavras da Consagração
é declarado válido, os acordos com os ortodoxos quebram todo
elan missionário nas regiões dominadas pelo cisma do Oriente
(acordos de Balamand), os erros sobre a Liberdade Religiosa, o Ecumenismo
e a Colegialidade assim como a expressão litúrgica desses
erros que é a Missa Nova continuam a suplantar o ensino da verdadeira
Fé e o exercício da liturgia de sempre.
Onde está a mudança em Roma?
Se alguém mudou, parece-nos que não foi Roma, e se não
foi Roma, quem foi então? Campos? Parece-nos que sim. Não
queremos dizer com isso que Campos perdeu a Fé ou aderiu aos erros
do Vaticano II. Mas Campos abriu uma porta. Tememos que por essa porta muitos
males entrarão nesta diocese tão preservada até agora.
Onde está o "in principiis
unitas"?
Como diz Dom Bernard Fellay, falando dos
acordos de Campos: "É a entrada no pluralismo que é imposta,
sob a aparência de um reconhecimento por parte de Roma; não
se trata do retorno da Igreja conciliar à Tradição."
(Nouvelles de Chrétienté nº 73 pág. 3)
b) In dubiis libertas.
Campos fala de estudar as questões
abertas. Que questões são essas? Por acaso Campos põe
no rol dos "in dubiis" o que já foi condenado pela Igreja?
A Nova Missa? A Liberdade Religiosa? O ecumenismo? A colegialidade? Pensamos
que não. Mas então, de que questões se trata?
c) In omnibus caritas.
A primeira caridade consiste em pregar
a verdade, pois é a verdade que livra as almas do erro e do pecado.
Se Campos guardar o silêncio diante
dos erros e graves injúrias feitas a Deus pelos modernistas que
ocupam Roma, então eles estarão faltando com
a caridade.
d) Quanto ao "sensus romanus" é
por fidelidade a Roma eterna que recusamos a Roma modernista. É por
espírito católico que recusamos o que a Igreja já condenou
e que os modernistas querem nos levar a aceitar. Podemos terminar com as
palavras do Pe. Fernando Rifan em 1988: "Ora, romper com quem rompeu
com a Tradição não é cisma, é fidelidade"
(Esclarecimento sobre a Sagração de Bispos) e, portanto, "sensus romanus".
Mosteiro da Santa Cruz
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Nova Friburgo - RJ
28601-970
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Notas
(1) O texto dessa conferência foi publicado
pelo mensual "Guarde a Fé!" nº 3/4 (junho e julho de 2002) da Fraternidade
S. Pio X.
(2) Repertório de erros modernos condenados
pela Igreja no séc. XIX.
(3) Cf. L'Osservatore Romano de 26/10/01 e
Documentation Catholique de 3/3/02, em DICI nº 46.
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