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O acordo de Campos com
o Vaticano
(nossa posição)
A posição do Mosteiro da Santa Cruz diante desse acordo não
poderia deixar de ser a de reprovação de um ato no qual vemos
um grande perigo e um grave equívoco.
O equívoco consiste em dar a crer a muitos que é possível
que a verdade tolere o erro, que progressismo e Fé católica
possam coexistir pacificamente, que é possível acordo prático
sem "acordo" doutrinal, ou melhor, sem que a verdadeira luz
da Tradição dissipe as trevas que obscurecem o céu da
Roma eterna (Declaração de Dom Lefebvre do dia 21 de novembro
de 1974). Como obter uma união fora da verdade, como lembrava Dom Fellay
na sua carta aos amigos e benfeitores do dia 5 de maio de 2001? Aliás,
este clima equívoco e ambíguo se faz notar em diversas afirmações
da imprensa que fala em "fim do cisma" (que jamais existiu) ou de
"retirada da excomunhão" de Dom Licínio (que também
jamais existiu) e outras expressões do gênero, as quais se encontram
mesmo em textos oficiais. É de se notar que Dom Lefebvre e Dom Antônio
de Castro Mayer continuam a ser considerados como rebeldes, proscritos e cismáticos,
quando o contrário é que é verdade.
Após o equívoco, o perigo consiste simplesmente na diminuição
da Fé. O contato com os progressistas, o silêncio imposto pelas
boas relações com o Vaticano só poderá levar a
uma diminuição do testemunho que os padres e fiéis têm
o dever de dar. Ora, corre-se sempre o risco de se perder aquilo que não
se defende mais, como uma propriedade invadida e mal defendida.
A esses dois males podemos acrescentar uma terceira razão de recusar
todo tipo de acordo semelhante ao que foi feito. A legítima desconfiança
que temos diante das autoridades romanas que não cessaram durante todos
esses últimos trinta anos de perseguir os católicos fiéis
e proteger, na maioria esmagadora dos casos, os maus padres, os modernistas,
marxistas, progressistas, carismáticos, etc. para não falar
dos elogios à Lutero, as honras cardinalícias dadas a modernistas
notórios e outros absurdos. Como ter confiança nesses prelados?
Como não pensar (eles mesmos já começam a falar disso)
que eles querem simplesmente acabar com o que resta da Fé e de resistência
incondicional aos erros modernos já condenados pela Santa Madre Igreja
contra a qual as portas do Inferno jamais prevalecerão?
Não se leu na Agência Zenit que Roma não tem pressa mas
que deseja um dia ver Campos concelebrando a nova missa? Como confiar na boa
fé dos modernistas? E Assis? Este pecado público contra
a unicidade de Deus, contra o Verbo Encarnado e sua Igreja como diziam
Dom Lefebvre e Dom Antônio em 1986 e como Dom Fellay, Superior Geral
da Fraternidade São Pio X, fala hoje com igual energia. Entrar no jogo
deles é se expor a ser envolvido e arrastado pelo dinamismo próprio
da comunhão com os que professam os mais graves erros.
Que Nossa Senhora suscite em Campos uma salutar reação, para
que esse acordo seja desfeito, graças à defesa firme e intransigente
da verdade por parte dos padres e fiéis formados por Dom Antônio
de Castro Mayer. É o milagre que ousamos pedir em nossas orações.
14 de fevereiro de 2002