Poucos dias atrás, o Padre Jonas dos Santos
Lisboa atacou os padres da Fraternidade São Pio X e do Mosteiro da
Santa Cruz, chamando-os de “lobos travestidos de ovelhas que entram
pela janela, como os ladrões”. E qual a razão dessa acusação?
É o fato de os padres da Fraternidade São Pio X e do Mosteiro
da Santa Cruz darem assistência aos fiéis de Arraial Novo, Barra
Funda e Santa Fé.
O nó da questão, como se vê, é o direito (contestado
pelo Pe. Jonas) dos fiéis de recusarem os padres de Dom Fernando Rifan
e de chamarem os padres da Fraternidade São Pio X e do Mosteiro da
Santa Cruz.
Esse direito é real ou é ilusório? Toda a questão
da crise atual se encontra resumida nessa questão.
Vejamos, pois, a resposta que Dom Marcel Lefebvre já dava em 1990 ao
escrever a Dom Antônio de Castro Mayer sobre a eventual sagração
de um Bispo para Campos como sucessor de Dom Antônio. Ela é esclarecedora.
Dom Lefebvre dá duas razões para justificar essa sagração.
Essas duas razões são válidas ainda hoje e podem ser
adaptadas à questão de Arraial Novo. Ei-las:
“1a –Os padres e os fiéis têm um direito estrito
de ter Pastores que professem na sua integridade a Fé católica,
essencial para a salvação das almas, e padres que sejam verdadeiramente
padres católicos.
2a –A ‘Igreja Conciliar’, tendo-se expandido universalmente,
difunde erros contrários à Fé católica e, em razão
destes erros, corrompeu as fontes da graça que são o Santo Sacrifício
da Missa e os Sacramentos. Esta falsa Igreja está em ruptura cada vez
mais profunda com a Igreja Católica.” O que diz aqui Dom Lefebvre
sobre as sagrações nós o dizemos da presença da
Fraternidade São Pio X e do Mosteiro da Santa Cruz em Arraial Novo,
Barra Funda e Santa Fé. Dom Lefebvre fala de princípio e de
fatos.
E como conclusão, Dom Lefebvre escreve:
“Resulta então destes princípios e destes fatos a necessidade
absoluta de continuar o episcopado católico para continuar a Igreja
Católica.”
Os princípios são que os fiéis de Arraial Novo têm
“o direito estrito de terem Pastores que professem na sua integridade
a Fé católica”. Os fatos são que nem Dom Fernando
Rifan nem os que pensam como ele professam na sua integridade essa mesma Fé.
Daí a necessidade de recorrer aos padres da Fraternidade São
Pio X e do Mosteiro da Santa Cruz.
Resta provar que Dom Fernando Rifan não professa na sua integridade
a Fé católica, dirão alguns. Essa prova já está
feita para os fiéis de Arraial Novo, Barra Funda e Santa Fé.
Eis porque eles se “desinscreveram” da Administração
Apostólica e recorreram à Fraternidade São Pio X. Eles
querem permanecer católicos e salvar as suas almas. Se o Padre Jonas
dos Santos Lisboa não entende isso, é porque ele não
entende a crise atual. É uma pena. No passado, o Pe. Jonas defendeu
brilhantemente as posições que hoje ele ataca. No passado, ele
justificou a resistência a Dom Navarro. No passado, ele defendeu a sagração
de Dom Licínio realizada em São Fidélis por Dom Tissier
de Mallerais, Bispo da Fraternidade São Pio X. Hoje, os padres da Fraternidade
São Pio X são “lobos travestidos de ovelhas que entram
pela janela, como ladrões”. Que pena. Não foi esse o Pe.
Jonas que nós conhecemos há alguns anos atrás. Não
era essa a posição dos Padres de Campos. Muito pelo contrário.
Há alguns anos atrás, os Padres de Campos louvavam a resistência
francesa e a corajosa tomada de São Nicolas du Chardonnet, em Paris.Hoje,
o Pe. Jonas a critica, amargamente. Quem tem razão? O Pe. Jonas de
alguns anos atrás ou o de hoje? Os fiéis de Arraial Novo pensam
que era o Pe. Jonas de anos atrás, e nós temos certeza que eles
estão certos. Eis porque nós vamos a Arraial Novo. Agindo assim,
nós estamos realizando os votos mais profundos da Santa Igreja Católica,
cuja lei suprema é a salvação das almas, para a maior
glória de Deus.
Se essa crise não fosse tão grave, não haveria motivo
para ir a Arraial Novo, mas ela é grave e é de Fé. Por
isso, continuaremos a ir a Arraial Novo, Barra Funda e Santa Fé, enquanto
os fiéis nos chamarem e nossas possibilidades o permitirem.
Dom Tomás de Aquino OSB
prior
do Mosteiro da Santa Cruz