Dom Antônio de Castro Mayer
Resumo Histórico
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Dom Antônio de Castro Mayer, filho
de João Mayer e de Francisca de Castro Mayer, nasceu aos 20 de
junho de 1904, em Campinas, no Estado de São Paulo, Brasil. De
família profundamente católica e numerosa (tinha 11 irmãos,
dos quais duas religiosas), ainda não atingira a idade de 7 anos
quando perdeu o pai, de origem alemã, da aldeia de Stettfeld
na Baviera. Referindo-se a este dizia: De meu pai recebi o maior tesouro:
a fé.
Com a idade de 12 anos, entra para o Seminário
menor de Bom Jesus de Pirapora, dirigido pelos padres Premonstratenses.
Em 1922, começa o Seminário Maior em São Paulo,
e, por sua inteligência e bons resultados nos estudos, é
enviado por Dom Duarte Leopoldo e Silva a Roma para completar seu curso
eclesiástico na Universidade Gregoriana. No dia 30 de outubro
de 1927, é ordenado sacerdote pelo Cardeal Basílio Pompilij,
Vigário Geral de sua Santidade o Papa Pio XI. Pouco depois, recebe
na Universidade Gregoriana o grau de doutor em teologia.
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De volta ao Brasil, é
nomeado professor no Seminário de São Paulo. Durante 13
anos, ensina Filosofia, História da Filosofia e Teologia Dogmática.
Em 1940, o Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar de
Affonseca e Silva, o nomeava assistente geral da Ação
Católica, então em fase de organização.
Em 1941, é nomeado cônego catedrático do Cabido
Metropolitano de São Paulo, com a dignidade de primeiro Tesoureiro.
Pouco depois, torna-se Vigário Geral (1942).
Em 1945, é transferido para o cargo de Vigário Ecônomo
da Paróquia de São José do Belém, ao mesmo
tempo se ocupa das cátedras de Religião e Doutrina Social
Católica, respectivamente na Faculdade Paulista de Direito e
no Instituto Sedes Sapientiae, ambas escolas superiores da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo.
A 6 de março de 1948, Sua Santidade o Papa Pio XII eleva Mons.
Antônio de Castro Mayer a Bispo titular de Priene e Coadjutor,
com direito a sucessão, do Arcebispo-Bispo de Campos, Dom Octaviano
Pereira de Albuquerque. No dia 23 de maio do mesmo ano, o Núncio
Apostólico do Brasil, Dom Carlo Chiarlo, oficia a cerimônia
de sagração, tendo como assistentes: Dom Ernesto de Paula,
Bispo de Piracicaba e Dom Geraldo de Proença Sigaud, Bispo de
Jacarezinho, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo.
Em virtude do falecimento de Dom Octaviano, em 3 de janeiro de 1949,
Dom Antônio torna-se Bispo Diocesano dessa importante circunscrição
eclesiástica do Estado do Rio.
Além das atividades de seu cargo, Dom Antônio leciona também,
primeiro na Faculdade de Filosofia e, depois na Faculdade de Direito
de Campos.
Após sua corajosa participação no Concílio,
ele volta à sua Diocese onde mantém com firmeza a Tradição
até sua demissão forçada, em 1981. Mesmo afastado,
diante da implantação do progressismo na Diocese por parte
do novo titular, sente-se no dever de apoiar e sustentar os padres que
havia formado e une-se a Dom Lefebvre, com quem fará mais de
um manifesto de resistência às inovações
ou de advertência ao Papa, e sobretudo se fará presente
em Ecône como Co-sagrante, nas sagrações de 30 de
junho de 1988. Em dezembro deste mesmo ano, realiza uma ordenação
sacerdotal, a última, antes de ser constrangido, pela debilitação
de suas forças, a prosseguir o combate apenas pela oração
e pelo sofrimento.
SUAS GRANDES QUALIDADES DE PASTOR
Dom Antônio de Castro Mayer, foi um dos
bispos mais conhecidos na atualidade religiosa brasileira e, por isso
mesmo, projetou-se além de nossas fronteiras, através
de suas Pastorais, Instruções, circulares, traduzidas
em vários idiomas. Como homem de governo, distinguiu-se pelo
seu labor apostólico e pela sua firmeza. Por outro lado de temperamento
afetuoso, de maneiras simples e corteses, sempre esteve disposto a ceder
e a tudo conciliar, quando a conciliação não trazia
inconveniente a não ser para ele. Caso contrário, seria
capaz das mais irredutíveis intransigências, das mais intrépidas
deliberações, das mais ousadas atitudes quando estava
em jogo, direta ou indiretamente, um princípio doutrinal, uma
questão que pudesse trazer prejuízo para o bem espiritual
de seu rebanho ou para a honra da Santa Igreja. Homem verdadeiramente
apostólico, sabia ser leão na defesa dos direitos de Deus
e cordeiro ao sacrificar a cada instante seus mais legítimos
interesses pessoais. É isto que explica a admiração
e a afeição que ele suscitou em torno de si durante tantos
anos de fecunda atividade pastoral.
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REORGANIZAÇÃO DA
ATIVIDADE PASTORAL NA DIOCESE
Desde que foi investido de sua missão
episcopal em 1948, Dom Antônio percorreu toda a diocese para conhecer
"in loco" a situação espiritual e material de
seus diocesanos. Pôde ele dirigir assim a reorganização
da vida das paróquias, tanto no interior como nas cidades. Conseguiu
também resolver velhos problemas que paralisavam a atividade
das Ordens Terceiras Franciscana e Carmelita, dando assim novo esplendor
às Igrejas situadas em suas propriedades.
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Atraiu também a Campos numerosas famílias religiosas
e deu seu apoio às já existentes. Assim encontramos
na diocese de Campos Beneditinos, Salesianos, Redentoristas, Carmelitas
Descalços, Franciscanos, Crúzios, etc. E Congregações
femininas foram chamadas para ajudar nas escolas, nos hospitais, nos
asilos, etc.
FUNDAÇÃO DO SEMINÁRIO
Em 1956, abre o Seminário Menor da Diocese na vila,
hoje cidade, de São Sebastião de Varre-Sai. Em 1967,
Dom Antônio obtém a permissão do funcionamento
do Seminário Maior, com os cursos de Filosofia e Teologia,
esta transferida depois para Campos.
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CARTAS PASTORAIS
O renome de Dom Antonio se deve, em grande parte, à alta qualidade
doutrinária de suas numerosas Cartas Pastorais, que tão
forte impressão causaram na alma de seus diocesanos e, mesmo,
muito além dos limites da própria diocese.
Talvez a mais célebre é a de 6 de janeiro de 1953 sobre
os Problemas do Apostolado Moderno.
Outras Pastorais assinalaram também o episcopado de Dom Antonio
destinadas a ser um sólido sustentáculo para os católicos
nestes tempos de crise e a premunir seus fiéis contra os erros
do progressismo.
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O valor de seus escritos e a
importância que tiveram em momentos decisivos de nosso país,
tornam Dom Antônio digno do reconhecimento de todos os brasileiros
e de todo o povo cristão. |
DOM ANTÔNIO, O DEVOTO DE NOSSA SENHORA
Omissão imperdoável seria
falar de Dom Antônio sem mencionar, ainda que em poucas linhas,
sua profunda e terna devoção à Vigem Santíssima,
Senhora Nossa. Logo no início de seu pastoreio como Bispo de
Campos, ordenou a todos os sacerdotes que rezassem, após as preces
leoninas do final da Missa, 3 Ave- Marias pela preservação
da fé e extinção das heresias na Diocese de Campos.
Tal era sua concisão: Vencedora de todas as heresias, ontem como
hoje, Maria Santíssima conseguirá de seu Divino Filho,
a vitória sobre os inimigos da Santa Igreja, um tempo de paz,
como prometeu em Fátima, com o triunfo do seu Imaculado Coração.
"Ipsa conteret"- era a sua divisa, a sua fé, a sua
confiança inabalável: "Ela esmagará."
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Dom Antônio, cuja piedade filial e confiança
no poder da Mãe de Deus sempre nos edificou, tornou-se em Campos
o arauto de Nossa Senhora, o pregador de seus privilégios,
o promotor de sua causa, o organizador das salutares missões
presididas pela Imagem Peregrina e Milagrosa de Nossa Senhora de Fátima,
o fautor, durante seu governo episcopal, de todos os movimentos e
obras paroquiais empenhadas na difusão e aprofundamento da
devoção mariana. Suas Pastorais sobre Nossa Senhora,
a insistência em suas homilias e retiros sobre a recitação
do Rosário, ou, pelo menos, do terço quotidiano, a campanha
do terço contínuo, a devoção às
três Ave Marias, a ênfase na pregação da
oração e da penitência , da Consagração
ao Imaculado Coração de Maria e da devoção
aos Primeiros Sábados atestam a importância que ele sempre
atribuiu ao papel de Maria Santíssima, Nossa Senhora, na economia
da salvação, na solução da crise contemporânea
e na sua atividade episcopal.
Ele costumava dizer a seus padres: tal obra começou sob a proteção
e as bênçãos de Nossa Senhora? Não há
de fracassar.
No seu leito de sofrimento, tinha diante de si, duas imagens caras
ao coração de filho: a imagem do Imaculado Coração
de Maria e o retrato de sua mãe.
SUA ATITUDE NO CONCÍLIO
Durante o Concílio, Dom Antônio
de Castro Mayer teve de enfrentar a corrente progressista e se salientou
como um dos líderes da corrente conservadora. Suas intervenções
em favor do Latim na Liturgia, sobre a estrutura monárquica da
Igreja, pela manutenção dos privilégios que na
ordem social cristã devem distinguir das seitas heréticas
a Santa Igreja, e pela condenação explícita do
comunismo no esquema da Constituição pastoral sobre a
Igreja no mundo contemporâneo fizeram dele um dos principais defensores
da doutrina tradicional da Igreja no Concílio. Com Mons. Marcel
Lefebvre ele fez parte do “Coetus Internationalis Patrum”
e foi com ele um dos dois únicos Bispos no mundo a continuar,
no período pós-conciliar, um combate público contra
os erros que corrompem a Fé e causam a perda de tantas almas.
Ainda por ocasião do Concílio, Dom Antônio e Dom
Lefebvre, juntamente com outros Padres conciliares, coordenaram as petições
de centenas de Bispos em prol da Consagração do mundo
ao Imaculado Coração de Maria e da condenação
do comunismo e do socialismo pelo Concílio.
OBRAS EDUCACIONAIS
A atividade de Dom Antônio se estendeu a todos os aspectos de
formação de seus diocesanos. Como poderiam ser esquecidas
as escolas? Incansavelmente Dom Antônio fundou, em meio a grandes
dificuldades, estabelecimentos de ensino. Com esta finalidade, soube
trabalhar tanto com os padres diocesanos como os de Congregações
que conseguiu para Campos.
Os diversos colégios fundados vieram trazer aos diocesanos de
Campos a possibilidade de dar aos filhos uma formação
sólida tanto no campo dos estudos como no plano da Fé.
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BISPO EMÉRITO
No dia 1o. de novembro de 1981, já como Administrador Apostólico
da Diocese, Dom Antonio celebra sua última Missa Pontifical na
Catedral de Campos, numa cerimônia memorável pela beleza
da Liturgia, pelo comparecimento maciço dos fiéis vindos
de toda a parte a transbordar a Catedral, que se tornou pequena, e pelas
homenagens espontâneas de gratidão, como a inauguração
da placa comemorativa na frente do templo, com os seguintes dizeres:
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"A Dom
Antonio de Castro Mayer, zeloso, sábio e prudente Bispo de Campos,
a gratidão dos fiéis pelos 33 anos dedicados à
causa da fé e à salvação das almas.
Campos, 1o. de novembro de 1981".
Com a chegada do novo Bispo, Dom Carlos Alberto Navarro, vários
padres formados por Dom Antônio foram expulsos de suas paróquias,
perseguidos, por conservarem a Tradição da Igreja. Todos
estes padres se voltaram então para Dom Antônio, que os
orientou continuando sua missão de Pastor. Todos lhe submetiam
suas decisões, suas cartas ao novo bispo, seus projetos de construção
de novas capelas, suas congregações e associações
paroquiais a fim de poder enfrentar a situação. O próprio
seminário foi reaberto e realizaram-se ordenações.
A obra de Dom Antônio não morreu, muito pelo contrário.
Nunca houve tanto trabalho no ministério das almas, que acorreram
não só da diocese, mas de outras partes do Brasil.
De seu retiro forçado pelo declínio de suas forças,
Dom Antonio dirigiu a fundação da União Sacerdotal
São João Maria Vianney, com a finalidade de associar os
padres expulsos das paróquias e os novos padres que iam sendo
ordenados.
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A PRESENÇA E A PARTICIPAÇÃO DE DOM
ANTÔNIO NAS SAGRAÇÕES DE ÊCONE, EM JUNHO DE 1988. |
Não só presente mas participando
na cerimônia das sagrações de 30 de junho de 1988,
como co-sagrante, em Ecône (Suíça), Dom Antonio
fez uma declaração que, com razão, despertou a
admiração e o entusiasmo dos presentes: "Minha presença
nesta cerimônia se impõe por um dever de consciência:
a profissão de fé católica, diante de toda a Igreja,
e, mais particularmente, diante de todos vós aqui reunidos: de
sua Excelência Mons. Marcel Lefebvre, bem como dos sacerdotes,
seminaristas, religiosos e fiéis do mundo inteiro".
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Em seguida, em poucas palavras,
cuja brevidade e concisão revelam sua profunda convicção,
Dom Antônio definiu a crise atual que atinge a Igreja no que ela
tem de substancial: o Santo Sacrifício da Missa e o Sacerdócio
católico, fundamentos do reinado social de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
Apesar das pressões recebidas, dizia ele, ali estava para cumprir
sua obrigação: dar um testemunho público de Fé,
no momento em que as almas corriam grande perigo de perdê-la.
Após lamentar a cegueira de tantos confrades no episcopado e
no sacerdócio, ele terminava exprimindo sua adesão à
posição de Sua Exa Mons. Lefebvre “ditada - dizia
textualmente – por sua fidelidade à Igreja de todos os
séculos”. E acrescentava esta bela observação:
"Ambos bebemos da mesma fonte, que é a Santa Igreja Católica
Apostólica Romana."
ÚLTIMO ATO PÚBLICO DE DOM ANTÔNIO: ORDENAÇÃO
SACERDOTAL EM VARRE-SAI
De volta das sagrações, Dom
Antônio procedeu à ordenação de um de seus
seminaristas, o Pe. Manoel Macêdo de Farias, em Varre-Sai, a 18
de dezembro de 1988. No princípio da cerimônia, ele definiu
bem as razões desta aparente “desobediência”:
“Vivemos – ninguém nega – uma terrível
crise na Igreja, que atinge profundamente o sacerdócio católico.
A perpetuidade do Santo Sacrifício da Missa, a administração
dos Sacramentos, a guarda e a transmissão fiel da fé católica
estão hoje séria e gravemente ameaçadas. “Por
tudo isso é inegável o gravíssimo estado de crise
na Igreja. Necessidade de padres católicos para o Santo Sacrifício,
para a doutrina. Quando as autoridades da Igreja se recusam a dar-lhe
destes padres verdadeiramente católicos, um bispo não
pode pretender ter cumprido seu dever, se se limita a resistir na fé,
como um leigo. Diante de Deus, de Quem recebi, na sagração
episcopal, a plenitude do poder de ordem, afirmo que, na presente crise,
não só é lícito, mas urge mesmo como dever
impostergável utilizar destes poderes para o bem das almas.
Declaro, por fim, que só realizo esta ordenação
sacerdotal por sabê-la inteiramente lícita e de acordo
com a vontade da Igreja perene. Cumpro a missão que me foi confiada:
transmito o sacerdócio católico que recebi. “Tradidi...quod
et accepi”.
CONCLUSÃO
Após 42 anos de episcopado e 63 de sacerdócio, Dom Antônio
de Castro Mayer deixou uma grande herança espiritual. Nem as
dificuldades encontradas, nem as pressões morais o fizeram desviar.
A diocese confiada a seu zelo é a mais bela prova de seu labor
apostólico sempre inspirado pelo amor da verdade. Onde encontrou
ele a força para realizar esta obra extraordinária? Sem
dúvida na devoção a Nossa Senhora. Sua divisa episcopal:
"Ipsa conteret", a consagração da Diocese ao
Imaculado Coração de Maria, as 3 Ave- Marias no final
da Missa pela preservação da Fé e extinção
das heresias testemunham esta presença de Nossa Senhora.
Após o trabalho fatigante, o justo repouso.
Os restos mortais de Dom Antonio repousam,
aguardando a ressurreição final, na cripta da Capela de
Nossa Senhora do Carmo no cemitério reservado à Ordem
Terceira.
Que às nossas lágrimas venha juntar-se a alegria de sabê-lo
servo bom e fiel e, outrossim, a de havê-lo conhecido e ter dele
recebido, como filhos, o mesmo ensinamento que Nosso Senhor transmitiu
aos Apóstolos na Palestina, que São Paulo recebeu por
revelação e que a Igreja de sempre professou e professará
até o fim pela boca de seus verdadeiros pastores.
Este Evangelho conhecido, amado e transmitido é o tesouro que
ele nos legou e que, hoje, pedimos a Deus, por meio de Nossa Senhora,
a graça de guardar até a morte, até o martírio,
se preciso for.
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